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Oswaldo Montenegro

Ficha Técnica:
Produção Executiva: Paulo Carvalho
Direção Artística: Tom Capone
Concepção e Roteiro: Aloísio Legey
Direção Musical: Lui Coimbra

Madalena Salles: Flauta , teclado e percussão
Lui Coimbra: Cello, charango e vocal
Alexandre Reis: Guitarra, dobro e violão
Fernando Nunes: Baixo e vocal
Caíque Vandera: Teclados e vocal
Pedro Mamede: Bateria e Percussão
Virginia van der Linden: Travesso Barroco
Peri Santoro: Flautas doce, soprano, contralto e baixo
Mario Orlando: Viola da Gamba baixo
Lenora Mendes: Viola da Gamba soprano
Marcio Selles: Viola da Gamba baixo

 
25 Anos ao Vivo (2004)

Chão, Pó, Poeira (Gonzaguinha)

Chão, pó, poeira
Pé na estrada
Sol na moleira
Chuva danada
Já tive medo, oi
Mãe, "ói" que manhã
Mato, ai que mato
Mato, oi que mata
Faca facão
Corta espinho
Mão calejada
Rompe caminho
Eh, saco de a poeira
Imbalança, imbalança, imbalança, imbalança
 

Boa noite (Ulysses Machado)

Boa noite é o que se deseja
Boa noite é o que se terá
Ainda que a noite seja
Tudo o que amanhecerá
Boa noite é o que se teria
No caso da noite ser
Tudo o que nos restaria
No caso de amanhecer
E ainda que a noite acabe
A gente prosseguirá
Boa noite eu grito do palco
E alguém responda de lá
Desejamos boa noite
Às moças desatinadas
E aos aplausos dos machões
 

Intuição (Oswaldo Montenegro e Ulysses Machado)

Canta uma canção bonita falando da vida em ré maior
Canta uma canção daquelas de filosofia e mundo bem melhor
Canta uma canção que aguente essa paulada e a gente bate o pé no chão
Canta uma canção daquelas, pula da janela e bate o pé no chão
Sem o compromisso estreito de falar perfeito, coerente ou não
Sem o verso estilizado, o verso emocionado, bate o pé no chão
Canta o que não silencia, é onde principia a intuição
E nasce uma canção rimada da voz arrancada ao nosso coração
Como sem licença o sol rompe a barra da noite sem pedir perdão
Hoje quem não cantaria grita a poesia e bate o pé no chão



 

Sem Mandamentos (Oswaldo Montenegro)

Hoje eu quero a rua cheia de sorrisos francos
De rostos serenos, de palavras soltas
Eu quero a rua toda parecendo louca
Com gente gritando e se abraçando ao sol
Hoje eu quero ver a bola da criança livre
Quero ver os sonhos todos nas janelas
Quero ver vocês andando por aí
Hoje eu vou pedir desculpas pelo que eu não disse
Eu até desculpo o que você falou
Eu quero ver meu coração no seu sorriso
E no olho da tarde a primeira luz
Hoje eu quero que os boêmios gritem bem mais alto
Eu quero um carnaval no engarrafamento
E que dez mil estrelas vão riscando o céu
Buscando a sua casa no amanhecer
Hoje eu vou fazer barulho pela madrugada
Rasgar a noite escura como um lampião
Eu vou fazer seresta na sua calçada
Eu vou fazer misérias no seu coração
Hoje eu quero que os poetas dancem pela rua
Pra escrever a músicas sem pretensão
Eu quero que as buzines toquem flauta-doce
E que triunfe a força da imaginação
 

Cigana (Oswaldo Montenegro)

Eu me vesti de cigana
Pra cantar o sol
Fiz comício e deu cana
Pra cantar o sol
Ah, que riso bacana
Pra cantar o sol
Virtuosa e profana
Pra cantar o sol
Dança, dança, dança pra cantar o sol
Todo amor que emanar, pra cantar o sol
Fui quem se dava e se dana
Pra cantar o sol
Quem se empolga e cigana
Pra cantar o sol
Quem teu hálito abana
Pra cantar o sol
Quem não mente, te engana
Pra cantar o sol
Dança, dança, dança pra cantar o sol
Todo ao amor que emanar, pra cantar o sol
Fiz do meu corpo cabana
Pra cantar o sol
Fiz de um ano semana
Pra cantar o sol
Fiz do amor porcelana
Pra cantar o sol
Fui cigarra e cigana
Pra cantar o sol
Dança, dança, dança pra cantar o sol
Todo ao amor que emanar, pra cantar o sol
Fui tua mão que te esgana
Pra cantar o sol
O que o brilho não empana
Pra cantar o sol
Meu amor tinha gana
De cantar o sol
Virgem santa e sacana Pra cantar o sol
Dança, dança, dança pra cantar o sol
Todo ao amor que emanar, pra cantar o sol 

Ramalheando (Homenagem a Zé Ramalho) (Oswaldo Montenegro)

Meu boa noite
Hoje a gente comemora
E é aqui justo na hora certa de comemorar
Uma homenagem ao poeta que a gente adora
Zé Ramalho, sim senhora, vai aniversariar
Mas se povo não clareia
Ramalho faz clarear
Mas se o dia não clareia
Ramalho faz clarear
Ele é profeta brincalhão da Paraíba
Sobe abaixo desce "arriba"
Não tem lógica pra dar
E misturando frevo com mitologia
Canta sem economia
Tem fartura no prosar
Mas se povo não clareia
Ramalho faz clarear
Mas se o dia não clareia
Ramalho faz clarear
Ele é discípulo de mestre Zé Limeira
E olha que não é brincadeira
Se aprender a improvisar
E Zé mistura o absurdo e a gemedeira
O avô Rai com a fumaceira
E o Oriente e o Ceará
Mas se povo não clareia
Ramalho faz clarear
Mas se povo não clareia
Ramalho faz clarear
Embola a bola do passado com presente
No improviso, no repente, no cordel "vou imbolá"
Embola a bola eu faço verso na viola
Você diz que dá na bola e na bola você não dá
Mas se povo não clareia
Ramalho faz clarear
Mas se dia não clareia
Ramalho faz clarear
E eu garanto, se Ramalho fosse bola
Bola de bola de gude colorida de bilhar
É, vida de gado, se o povo não clareia... 

Admirável Gado Novo (Zé Ramalho)

Vocês, que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber
E ter de demonstrar sua coragem
À margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
Já sente a ferrugem lhe comer Eh, ô, vida de gado
Povo marcado, povo feliz Lá fora faz um tempo confortável
A vigilância cuida do normal
Os automóveis ouvem a notícia
Os homens a publicam no jornal
E correm através da madrugada
A única velhice que ficou
Demoram-se na beira da estrada
E passam a contar o que sobrou Eh, ô, vida de gado
Povo marcado, povo feliz O povo foge da ignorância
Apesar de viver tão perto dela
E sonham com melhores tempos idos
Contemplam esta vida numa cela
Esperam nova possibilidade
De verem este mundo se acabar
A arca de Noé, o dirigível
Não voam nem se pode flutuar Eh, ô, vida de gado
Povo marcado, povo feliz

 

Se Puder Sem Medo (Oswaldo Montenegro)

Deixa em cima desta mesa a foto que eu gostava
Pr'eu pensar que o teu sorriso envelheceu comigo
Deixa eu ter a tua mão mais uma vez na minha
Pra que eu fotografe assim meu verdadeiro abrigo
Deixa a luz do quarto acesa a porta entreaberta
O lençol amarrotado mesmo que vazio
Deixa a toalha na mesa e a comida pronta
Só na minha voz não mexa, eu mesmo silencio
Deixa o coração falar o que eu calei um dia
Deixa a casa sem barulho achando que ainda é cedo
Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia
Deixa tudo como está e, se puder, sem medo
Deixa tudo que lembrar, eu finjo que esqueço
Deixa e quando não voltar, eu finjo que não importa
Deixa eu ver se me recordo uma frase de efeito
Pra dizer te vendo ir, fechando atrás da porta
Deixa o que não for urgente, que eu ainda preciso
Deixa o meu olhar doente pousado na mesa
Deixa ali teu endereço, qualquer coisa, aviso
Deixa o que fingiu levar, mas deixou de surpresa
Deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo
Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande
Deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo
Se o adeus demora, a dor no coração se expande
Deixa o disco na vitrola pr'eu pensar que é festa
Deixa a gaveta trancada pr'eu não ver tua ausência
Deixa a minha insanidade, é tudo que me resta
Deixa eu por à prova toda minha resistência
Deixa eu confessar meu medo do claro e do escuro
Deixa eu contar que era farsa minha voz tranqüila
Deixa pendurada a calça de brim desbotado
Que como esse nosso amor, ao menor vento oscila
Deixa eu sonhar que você não tem nenhuma pressa
Deixa um último recado na casa vizinha
Deixa de sofisma e vamos ao que interessa
Deixa a dor que eu lhe causei, agora é toda minha
Deixa tudo que eu não disse mas você sabia
Deixa o que você calou e eu tanto precisava
Deixa o que era inexistente e eu pensei que havia
Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava
 

Metade (Oswaldo Montenegro)

Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito, a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe seja linda, ainda que tristeza
Que a mulher que amo seja pra sempre amada, mesmo que distante
Porque metade de mim é partida, a outra metade é saudade.Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece, nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço, a outra metade é o que calo. Que a minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que mereço Que a tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada Porque metade de mim é o que penso, a outra metade é um vulcão. Que o medo da solidão se afaste E o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que me lembro ter dado na infância Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei. Que não seja preciso mais do que uma simples alegria pra me fazer aquietar o espírito E que o teu silêncio me fale cada vez mais Porque metade de mim é abrigo, a outra metade é cansaço. Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba E que ninguém a tente complicar, porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer Porque metade de mim é plateia, a outra metade é canção. E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor e a outra metade também

 

Faça (Oswaldo Montenegro)

Façam tardes as manhãs
Façam arte os artistas
Faça parte da maçã
A condenação prevista
Façam chuvas os Xamãs
Façam danças as coristas
Façam votos que esta corda
Não sabote o equilibrista
Façam Beatles "For No One"
Faça o povo a justiça
Faça amor o tempo todo
Que amor não desperdiça
Faça votos pra alegria
Faça com que todo dia
Seja um dia de domingo
 

Hoje ainda é dia de Rock (Zé Rodrix)

Eu tô doidin por uma viola
Mãe e pai, de doze cordas e quatro cristais
Pra eu poder tocar lá na cidade
Mãe e pai, esse meu blues de Minas Gerais
E o meu cateretê lá do Alabama
Mesmo que eu toque uma vezinha só
Eu descobri e acho que foi a tempo
Mãe e pai, que hoje ainda é dia de rock Eu tô doidin por um pianin
Mãe e pai, com caixa Leslie e amplificador
Pra eu poder tocar lá na cidade
Mãe e pai, um rockizinho para o meu amor
Depois formar a minha eletrobanda
Que vai deixar as outras no roncó
Eu descobri e acho que foi a tempo
Mãe e pai, que hoje ainda é dia de rock Que hoje ainda é dia de rock
Que hoje ainda é dia de rock
Eu descobri olhando o milho verde
(eu descobri ouvindo a mula preta)
Mãe e pai que hoje ainda é dia de rock
 

Sempre não é Todo Dia (Oswaldo Montenegro e Mongol)

Eu hoje acordei tão só
Mais só do que eu merecia
Olhei pro meu espelho e rá!
Gritei o que eu mais queria
Na fresta da minha janela
Raiou, vazou a luz do dia
Entrou sem me pedir licença
Querendo me servir de guia
E eu que já sabia tudo
Das rotas da Astrologia
Dancei e a cabeça tonta
O meu reinado não previa
Olhei pro meu espelho e rá!
Meu grito não me convencia
Princesa eu sei que sou pra sempre
Mas sempre não é todo dia
Botei o meu nariz a postos
Pro faro e pro que vicia
Senti seu cheiro na semente
Que a manhã me oferecia
Olhei pro meu espelho e rá!
Meu grito não me convencia
Princesa eu sei que sou pra sempre
Mas sempre não é todo dia
Eu hoje acordei tão só
Mais só do que eu merecia
E eu acho que será pra sempre
Mas sempre não é todo dia
 

Simpatia de Giz (Oswaldo Montenegro)


Eu não aguento mais ouvir o que você diz
O teu jeito de profeta lá da Praça Paris
Esse jeito de ser o que você queria ser, mas não é
Me olha como folha e pensa como raiz
É o teu jeito de bancar um cara rico e feliz, mas não é
Olha como ET e pensa como perdiz
É o teu jeito de bancar um cara rico e feliz, mas não é
Mete o pau na água e compra um chafariz
Acha que é um rei e ri dos meus bem-te-vis
Acha que é o dono dessa bola que eu não quis, mas não é
Eu não suporto mais tua simpatia de giz
O teu jeito de saber do vento mais que o nariz
Esse jeito de ser o que você queria ser, mas não é
Me olha como ET e pensa como perdiz
É o teu jeito de bancar um cara rico e feliz, mas não é
Querendo me ensinar aquilo que eu sempre fiz
Usando o que é dos outros pra sonhar e não diz
Fundando a filial querendo ser a matriz, mas não é
 

Taxímetro (Oswaldo Montenegro e Mongol)

Eu tava andando na rua, chovia e tava calor
Como um taxímetro o olhar registrava E me cobrava tudo o que já passou
E você me odeia e eu entendo E Deus passou lotado por nós
Não, não esqueça que a cabeça abandonou minha voz A gente andou pela Lua, mas nunca andou de metrô
Eu só estranhava quando te via nua E preferia de vestido bordô
E você me odeia e eu entendo E Deus passou lotado por nós
Não, não esqueça que a cabeça abandonou minha voz
 

Todo mundo é lobo por dentro (Oswaldo Montenegro)

 Você me disse que eu sou petulante, né?
Acho que sou sim, viu?
Como a água que desce a cachoeira
E não pergunta se pode passar
Você me disse que meu olho é duro como faca
Acho que é sim, viu?
Como é duro o tronco da mangueira
Onde você precisa se encostar
Você me disse que eu destruo sempre
A sua mais romântica ilusão
E que destruo sempre com minha palavra
O que me incomodou
Acho que é sim
Como fere e faz barulho o bicho que se machucou, viu?
Como fere e faz barulho o bicho que se machucou
 

Drop's de Hortelã (Oswaldo Montenegro)

 Eu andava meio estranho
Sem saber o que fazia
Eu não sei
Andava assim, eu não sei
Se era feliz
Eu achava que faria uma canção
E a melodia eu não sei
Andava assim eu não sei
Se era feliz
Eu achava que faria tudo que não sei
Que amaria, eu não sei Fazer desenhos com giz
Eu achava que faria uma canção nissei
Eu me sentia, eu não sei Um americano em Paris
Eu achava que tamanho
Tinha a ver com poesia
Eu não sei
Mas toda vida eu deixei
A vida entrar no nariz
Me mandei pra Curitiba
E como eu gosto dessa vida
Eu sei que a paixão que eu falei
Me lembra o anis
Fiz um drops de hortelã da bala que eu te dei
Para atirar no porém da frase que eu nunca fiz
 

Travessuras (Oswaldo Montenegro)

Eu insisto em cantar
Diferente do que ouvi
Seja como for, recomeçar
Nada há, mas há de vir
Me disseram que sonhar
Era ingênuo, e dai?
Nossa geração não quer sonhar
Pois que sonhe a que há de vir
Eu preciso é te provar
Que ainda sou o mesmo menino
Que não dorme, a planejar travessuras
E fez do som da tua risada um hino

 

Estrelas (Oswaldo Montenegro)

Pela marca que nos deixa a ausência de som
Que a emana das estrelas
Pela falta que nos faz
A nossa própria luz a nos orientar
Doido corpo que se move
É a solidão dos bares que a gente frequenta
Pela mágica do dia
Que independeria da gente pensar
Não me fale do seu medo
Ah, eu conheço inteira sua fantasia
E é como se fosse pouca
E a nossa alegria não fosse bastar
Quando eu não estiver por perto
Canta aquela música que a gente ria
É tudo o que eu cantaria
E quando eu for embora você cantará
 

Chão, Pó, Poeira (Gonzaguinha)

Chão, pó, poeira
Pé na estrada
Sol na moleira
Chuva danada
Já tive medo, oi
Mãe "ói" que manhã
Mato ai que mato
Mato oi que mata
Faca facão
Corta espinho
Mão calejada
Rompe caminho
Eh, saco de a poeira
Imbalança, imbalança, imbalança, imbalança

Lua e Flor (Oswaldo Montenegro)

Eu amava como amava algum cantor
De qualquer clichê, de cabaré, de lua e flor
Eu sonhava como a feia na vitrine
Como carta que se assine em vão
Eu amava como amava um sonhador
Sem saber por quê e amava ter no coração
A certeza ventilada de poesia
De que o dia não amanhece não
Eu amava como amava um pescador
Que se encanta mais com a rede que com o mar
Eu amava como jamais poderia
Se soubesse como te contar
 

Boa noite (Ulysses Machado)

Boa noite é o que se deseja
Boa noite é o que se terá
Ainda que a noite seja
Tudo o que amanhecerá
Boa noite é o que se teria
No caso da noite ser
Tudo o que nos restaria
No caso de amanhecer
E ainda que a noite acabe
A gente prosseguirá
Boa noite eu grito do palco
Alguém responda de lá
Desejamos boa noite
Às moças desatinadas
E aos aplausos dos machões
 

Agonia (Mongol)

Se fosse resolver
Iria te dizer
Foi minha agonia
Se eu tentasse entender
Por mais que eu me esforçasse
Eu não conseguiria
E aqui no coração
Eu sei que vou morrer
Um pouco a cada dia
E sem que se perceba
A gente se encontra
Pra uma outra folia
Eu vou pensar que é festa
Vou dançar, cantar
É minha garantia
E vou contagiar diversos corações
Com minha euforia
E a amargura e o tempo
Vão deixar meu corpo,
Minha alma vazia
E sem que se perceba A gente se encontra
Pra uma outra folia
 

Intuição (Oswaldo Montenegro/Ulysses Machado)

Canta uma canção bonita falando da vida em ré maior
Canta uma canção daquelas de filosofia e mundo bem melhor
Canta uma canção que aguente essa paulada e a gente bate o pé no chão
Canta uma canção daquelas, pula da janela e bate o pé no chão
Sem o compromisso estreito de falar perfeito, coerente ou não
Sem o verso estilizado, o verso emocionado e bate o pé no chão
Canta o que não silencia é onde principia a intuição
E nasce uma canção rimada da voz arrancada ao nosso coração
Como sem licença o sol rompe a barra da noite sem pedir perdão,
Hoje quem não cantaria grita a poesia e bate o pé no chão

Léo e Bia (Oswaldo Montenegro)

No centro de um planalto vazio
Como se fosse em qualquer lugar
Como se a vida fosse um perigo
Como se houvesse faca no ar
Como se fosse urgente e preciso
Como é preciso desabafar
Qualquer maneira de amar varia
E Léo e Bia souberam amar
Como se não fosse tão longe
Brasília de Belém do Pará
Como castelos nascem dos sonhos
Pra no real achar seu lugar
Como se faz com todo cuidado
A pipa que precisa voar
Cuidar de amor exige mestria
E Léo e Bia souberam
 

Sem Mandamentos (Oswaldo Montenegro)

Hoje que quero a rua cheia de sorrisos francos
De rostos serenos, de palavras soltas
Eu quero a rua toda parecendo louca
com gente gritando e se abraçando ao sol
Hoje que quero ver a bola da criança livre
quero ver os sonhos todos nas janelas
quero ver vocês andando por aí
Hoje eu vou pedir desculpas pelo que eu não disse
Eu até desculpo o que você falou
eu quero ver meu coração no seu sorriso
e no olho da tarde a primeira luz
Hoje eu quero que os boêmios gritem bem mais alto
eu quero um carnaval no engarrafamento
e que dez mil estrelas vão riscando o céu
buscando a sua casa no amanhecer
Hoje eu vou fazer barulho pela madrugada
rasgar a noite escura como um lampião
eu vou fazer seresta na sua calçada
eu vou fazer misérias no seu coração
Hoje eu quero que os poetas dancem pela rua
pra escrever a músicas sem pretensão
eu quero que as buzines toquem flauta-doce
e que triunfe a força da imaginação

Cigana (Oswaldo Montenegro)

Eu me vesti de cigana
Pra cantar o sol
Fiz comício e deu cana
Pra cantar o sol
Ah, que riso bacana
Pra cantar o sol
Virtuosa e profana
Pra cantar o sol
Dança, dança, dança pra cantar o sol
Todo ao amor que emanar, pra cantar o sol
Fui quem se dava e se dana
Pra cantar o sol
Quem se empolga e cigana
Pra cantar o sol
Quem teu hálito abana
Pra cantar o sol
Quem não mente, te engana
Pra cantar o sol
Dança, dança, dança pra cantar o sol
Todo ao amor que emanar, pra cantar o sol
Fiz do meu corpo cabana
Pra cantar o sol
Fiz de uma no semana
Pra cantar o sol
Fiz do amor porcelana
Pra cantar o sol
Fui cigarra e cigana
Pra cantar o sol
Dança, dança, dança pra cantar o sol
Todo ao amor que emanar, pra cantar o sol
Fui tua mão que te esgana
Pra cantar o sol
O que o brilho não empana
Pra cantar o sol
Meu amor tinha gana
De cantar o sol
Virgem santa e sacana
Dança, dança, dança pra cantar o sol
Todo ao amor que emanar, pra cantar o sol

Lista (Oswaldo Montenegro)

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você
 

Ramalheando (homenagem a Zé Ramalho) (Oswaldo Montenegro)

Meu boa noite
Hoje a gente comemora
E é aqui justo na hora certa de comemorar
Uma homenagem ao poeta à gente adora
Zé Ramalho, sim senhora, Vai aniversariar
Mas se povo não clareia
Ramalho faz clarear
Mas se dia não clareia
Ramalho faz.clarear
Ele é profeta brincalhão da Paraíba
Sobe abaixo desce "arriba"
Não tem lógica pra dar
E misturando frevo com mitologia
Canta sem economia
Tem fartura no prosar
Mas se povo não clareia
Ramalho faz clarear
Mas se dia não clareia
Ramalho faz clarear
Ele é discípulo de mestre Zé Limeira
E olha que não é brincadeira
Se aprender a improvisar
E Zé mistura o absurdo e a gemedeira
O avô Rai com a fumaceira
E o oriente e o Ceará
Mas se povo não clareia
Ramalho faz clarear
Mas se povo não clareia
Ramalho faz clarear
Embola a bola do passado c'o presente
No improviso no repente no cordel "vou imbolá"
Embola a bola eu faço verso na viola
Você diz que dá na bola e na bola você não dá
Mas se povo não clareia
Ramalho faz clarear
Mas se dia não clareia
Ramalho faz clarear
E eu garanto se Ramalho fosse bola
Bola de bola de gude colorida de bilhar
Ée, vida de gado, se o povo não clareia..

Admirável Gado Novo (Zé Ramalho)

Vocês que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber
E ter de demonstrar sua coragem
À margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
Já sente a ferrugem lhe comer

Eh, ÔÔ, vida de gado
Povo marcado, Povo Feliz

Lá fora faz um tempo confortável
A vigilância cuida do normal
Os automóveis ouvem a notícia
Os homens a publicam no jornal
E correm através da madrugada
A única velhice que ficou
Demoram-se na beira da estrada
E passam a contar o que sobrou

Eh, ÔÔ, vida de gado
Povo marcado, Povo Feliz

O povo foge da ignorância
Apesar de viver tão perto dela
E sonham com melhores tempos idos
Contemplam esta vida numa cela
Esperam nova possibilidade
De verem este mundo se acabar
A arca de Noé, o dirigível
Não voam nem se pode flutuar

Eh, ÔÔ, vida de gado
Povo marcado, Povo Feliz
 

Baioque (Chico Buarque)

Quando eu canto
Que se cuide
Quem não for meu irmão
O meu canto
Punhalada
Não conhece o perdão
Quando eu rio Quando rio
Rio seco
Como é seco o sertão
Meu sorriso
É uma fenda
Escavada no chão
Quando eu choro Quando choro
É uma enchente
Surpreendendo o verão
É o inverno
De repente
Inundando o sertão
Quando eu amo Quando amo
Eu devoro
Todo o meu coração
Eu odeio
Eu adoro
Numa mesma oração
Quando eu canto Mamie, não quero seguir
Definhando sol a sol
Me leva daqui
Eu quero partir
Requebrando um rock and roll
Nem quero saber
Como se dança o baião
Eu quero ligar
Eu quero um lugar
Ao som de Ipanema, cinema e televisão
 

Se Puder Sem Medo (Oswaldo Montenegro)

Deixa em cima desta mesa a foto que eu gostava
Pr'eu pensar que o teu sorriso envelheceu comigo
Deixa eu ter a tua mão mais uma vez na minha
Pra que eu fotografe assim meu verdadeiro abrigo
Deixa a luz do quarto acesa a porta entreaberta
O lençol amarrotado mesmo que vazio
Deixa a toalha na mesa e a comida pronta
Só na minha voz não mexa eu mesmo silencio
Deixa o coração falar o que eu calei um dia
Deixa a casa sem barulho achando que ainda é cedo
Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia
Deixa tudo como está e se puder, sem medo
Deixa tudo que lembrar eu finjo que esqueço
Deixa e quando não voltar eu finjo que não importa
Deixa eu ver se me recordo uma frase de efeito
Pra dizer te vendo ir fechando atrás da porta
Deixa o que não for urgente que eu ainda preciso
Deixa o meu olhar doente pousado na mesa
Deixa ali teu endereço qualquer coisa aviso
Deixa o que fingiu levar mas deixou de surpresa
Deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo
Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande
Deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo
Se o adeus demora a dor no coração se expande
Deixa o disco na vitrola pr'eu pensar que é festa
Deixa a gaveta trancada pr'eu não ver tua ausência
Deixa a minha insanidade é tudo que me resta
Deixa eu por à prova toda minha resistência
Deixa eu confessar meu medo do claro e do escuro
Deixa eu contar que era farsa minha voz tranqüila
Deixa pendurada a calça de brim desbotado
Que como esse nosso amor ao menor vento oscila
Deixa eu sonhar que você não tem nenhuma pressa
Deixa um último recado na casa vizinha
Deixa de sofisma e vamos ao que interessa
Deixa a dor que eu lhe causei agora é toda minha
Deixa tudo que eu não disse mas você sabia
Deixa o que você calou e eu tanto precisava
Deixa o que era inexistente e eu pensei que havia
Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava

Quebra Cabeça Sem Luz (Oswaldo Montenegro)

É na clareza da mente
Que explode a procura do novo processo
E o que é meu direito eu exijo, não peço
Com a intensidade de quem quer viver
E optar ir ou não por ali
A nossa primeira antena é a palavra
Que amplia a verdade que assusta
E a gente repete que quer, mas não busca
E de um modo abstrato se ilude que fez
Mas qualquer dia vai ter que ficar definido o caminho
É mais louco do que já supôs a tal sabedoria
Magia que eu hoje procuro entender
Pra que o corpo supere a fadiga
Você o que pensa do assunto?
Se a gente se encontra, mas nunca ta junto
Vivendo esse quebra cabeça sem luz
Pra não ficar dividida
Minha mente estabeleci-combinado faria
Dizer pondo um pouco de mate gela-de fazer Como os loucos falando aos tropeços (perdão Rita Lee)
Pra que a gente se entenda algum dia
Há de ser como o louco Quixote
E a lógica insiste em guardar no seu pote
A mais linda palavra que eu ia dizer
Mas qualquer dia você
Vai me ver disfarçar (há) de fazer como eu
Que disfarço na tal fantasia a magia
Só me fantasio do que venha ser
E o que se espera da minha cabeça
Há de ser invertido
E a sonata que eu já compus Virou rock/quem roubou minha loucura fui eu
Agora devolvi
 

Metade (Oswaldo Montenegro)

 

Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito, a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe seja linda, ainda que tristeza
Que a mulher que amo seja pra sempre amada, mesmo que distante
Porque metade de mim é partida, a outra metade é saudade.

Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece, nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço, a outra metade é o que calo.

Que a minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que mereço
Que a tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso, a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
E o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei.


Que não seja preciso mais do que uma simples alegria pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo, a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar, porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é plateia, a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor e a outra metade também

Bandolins (Oswaldo Montenegro)

 Como fosse um par que nessa valsa triste
Se desenvolvesse ao som dos bandolins
E como não?
E por que não dizer que o mundo respirava mais
Se ela apertava assim seu colo?
E como se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio se dançar assim
Ela teimou e enfrentou o mundo
Se rodopiando ao som dos bandolins
Como fosse um lar seu corpo a valsa triste iluminava
E a noite caminhava assim
E como um par o vento e a madrugada
Iluminavam a fada do meu botequim
Valsando como valsa uma criança que entra na roda
A noite tá no fim
E ela valsando só na madrugada
Se julgando amada ao som dos bandolins

 

Faça (Oswaldo Montenegro)

Façam tardes as manhãs
Façam artes os artistas
Faça parte da maçã
A condenação prevista
Façam chuvas os Xamãs
Façam danças as coristas
Façam votos que esta corda
Não sabote o equilibrista
Façam Beatles "For No One"
Faça o povo a justiça
Faça amor o tempo todo
Que amor não desperdiça
Faça votos pra alegria
Faça com que todo dia
Seja um dia de domingo

Hoje ainda é dia de Rock (Zé Rodrix)

Eu tô doidin por uma viola
Mãe e pai, de doze cordas e quatro cristais
Pra eu poder tocar lá na cidade
Mãe e pai, esse meu blues de Minas Gerais
E o meu cateretê lá do Alabama
Mesmo que eu toque uma vezinha só
Eu descobri e acho que foi a tempo
Mãe e pai, que hoje ainda é dia de rock

Refrão

Eu tô doidin por um pianin
Mãe e pai, com caixa Leslie e amplificador
Pra eu poder tocar lá na cidade
Mãe e pai, um rockizinho para o meu amor
Depois formar a minha eletrobanda
Que vai deixar as outras no roncó
Eu descobri e acho que foi a tempo
Mãe e pai, que hoje ainda é dia de rock

Que hoje ainda é dia de rock
Que hoje ainda é dia de rock
Eu descobri olhando o milho verde
(eu descobri ouvindo a mula preta)
Mãe e pai que hoje ainda é dia de rock

Sempre não é Todo Dia (Oswaldo Montenegro/Mongol)

Eu hoje acordei tão só
Mais só do que eu merecia
Olhei pro meu espelho e rá!
Gritei o que eu mais queria
Na fresta da minha janela
Raiou, vazou a luz do dia
Entrou sem me pedir licença
Querendo me servir de guia
E eu que já sabia tudo
Das rotas da Astrologia
Dancei, e a cabeça tonta
O meu reinado não previa
Olhei pro meu espelho e rá!
Meu grito não me convencia
Princesa eu sei que sou pra sempre
Mas sempre não é todo dia
Botei o meu nariz a postos
Pro faro e pro que vicia
Senti seu cheiro na semente
Que a manhã me oferecia
Olhei pro meu espelho e rá!
Meu grito não me convencia
Princesa eu sei que sou pra sempre
Mas sempre não é todo dia
Eu hoje acordei tão só
Mais só do que eu merecia
E eu acho que será pra sempre
Mas sempre não é todo dia

Simpatia de Giz (Oswaldo Montenegro)

Eu já me enchi de tudo o que você diz
Da tua cara de profeta lá da Praça Paris
O teu jeito de ser o que você queria ser, mas não é
Olha como ET e pensa como perdiz
É o teu jeito de bancar um cara rico e feliz, mas não é
Mete o pau na água e compra um chafariz
Acha que é um rei e ri dos meus bem-te-vis
Acha que é o dono dessa bola que eu não quis, mas não é
Eu não agüento mais tua simpatia de giz
O teu jeito de saber do vento mais que o nariz
O teu jeito de ser o que você queria ser, mas não é
Olha como folha e pensa como raiz
É o teu jeito de bancar um cara rico e feliz, mas não é
Querendo me ensinar aquilo que eu sempre fiz
Usando o que é dos outros pra sonhar e não diz
Fundando a filial querendo ser a matriz, mas não é
 

Taxímetro (Oswaldo Montenegro/Mongol)

Eu tava andando na rua, chovia e tava calor
Como um taxímetro o olhar registrava e me cobrava tudo o que já passou
E você
Me odeia e eu entendo e Deus
Passou lotado por nós
Não, não esqueça que a cabeça abandonou minha voz

A gente andou pela Lua, mas nunca andou de metrô
Eu só estranhava quando te via nua e preferia de vestido bordô
E você
Me odeia e eu entendo e Deus
Passou lotado por nós
Não, não esqueça que a cabeça abandonou minha voz

Todo mundo é lobo por dentro (Oswaldo Montenegro)

Você me disse que eu sou petulante, né?
acho que sou sim, viu?
como a água que desce a cachoeira
e não pergunta se pode passar
você me disse que meu olho é duro como faca
acho que é sim, viu?
como é duro o tronco da mangueira
onde você precisa se encostar
você me disse que eu destruo sempre
a sua mais romântica ilusão
e destruo sempre com minha palavra
o que me incomodou
acho que é sim
como fere e faz barulho o bicho que se machucou
como fere e faz barulho o bicho que se machucou

Drop's de Hortelã (Oswaldo Montenegro)

Eu andava meio estranho
sem saber o que fazia
eu não sei
andava assim, eu não sei
se era feliz
Eu achava que faria uma canção
e a melodia eu não sei
andava assim eu não sei
se era feliz
Eu achava que faria tudo que não sei
que amaria, eu não sei, fazer desenhos com giz
eu achava que faria uma canção nissei
eu me sentia, eu não sei, um americano em Paris
Eu achava que tamanho
tinha a ver com poesia
eu não sei
mas toda vida eu deixei
a vida entrar no nariz
Me mandei pra Curitiba
e como eu gosto dessa vida
ah! eu sei
que a paixão que eu falei
me lembra o aniz
Fiz um drops de hortelã da bala que eu te dei
para atirar no porém da frase que eu nunca fiz
 

Travessuras (Oswaldo Montenegro)

Eu insisto em cantar
Diferente do que ouvi
Seja como for recomeçar
Nada há, mais há de vir
Me disseram que sonhar
Era ingênuo, é dai?
Nossa geração não quer sonhar
Pois que sonhe, a que há de vir
Eu preciso é te provar
Que ainda sou o mesmo menino
Que não dorme a planejar, travessuras
E fez do som da tua risada um hino

Estrelas (Oswaldo Montenegro)

Pela marca que nos deixa a ausência de som
Que a emana das estrelas
Pela falta que nos faz
A nossa própria luz a nos orientar
Doido corpo que se move
É a solidão dos bares que a gente freqüenta
Pela mágica do dia
Que independeria da gente pensar
Não me fale do teu medo
Ah, eu conheço inteira sua fantasia
E é como se fosse pouca
E a nossa alegria não fosse bastar
Quando eu não estiver por perto
Canta aquela música que a gente ria
É tudo o que eu cantaria
E quando eu for embora você cantará
 

Lua e Flor (Oswaldo Montenegro)

Eu amava como amava algum cantor
De qualquer clichê, de cabaré, de lua e flor
Eu sonhava como a feia na vitrine
Como carta que se assine em vão
Eu amava como amava um sonhador
Sem saber por quê e amava ter no coração
A certeza ventilada de poesia
De que o dia não amanhece não
Eu amava como amava um pescador
Que se encanta mais com a rede que com o mar
Eu amava como jamais poderia
Se soubesse como te contar

Agonia (Mongol)

Se fosse resolver
iria te dizer
foi minha agonia
Se eu tentasse entender
por mais que eu me esforçasse
eu não conseguiria
E aqui no coração
eu sei que vou morrer
Um pouco a cada dia
E sem que se perceba
A gente se encontra
Pra uma outra folia
Eu vou pensar que é festa
Vou dançar, cantar
é minha garantia
E vou contagiar diversos corações
com minha euforia
E a amargura e o tempo
vão deixar meu corpo,
minha alma vazia
E sem que se perceba a gente se encontra
pra uma outra folia

Léo e Bia (Oswaldo Montenegro)

No centro de um planalto vazio
como se fosse em qualquer lugar
como se a vida fosse um perigo
como se houvesse faca no ar
como se fosse urgente e preciso
como é preciso desabafar
Qualquer maneira de amar varia
E Léo e Bia souberam amar

Como se não fosse tão longe
Brasília de Belém do Pará
Como castelos nascem dos sonhos
Pra no real achar seu lugar
Como se faz com todo cuidado
A pipa que precisa voar
Cuidar de amor exige mestria
E Léo e Bia souberam amar

 

Lista (Oswaldo Montenegro)

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você
 

Baioque (Chico Buarque)

Quando eu canto
Que se cuide
Quem não for meu irmão
O meu canto
Punhalada
Não conhece o perdão
Quando eu rio

Quando rio
Rio seco
Como é seco o sertão
Meu sorriso
É uma fenda
Escavada no chão
Quando eu choro

Quando choro
É uma enchente
Surpreendendo o verão
É o inverno
De repente
Inundando o sertão
Quando eu amo

Quando amo
Eu devoro
Todo o meu coração
Eu odeio
Eu adoro
Numa mesma oração
Quando eu canto

Mamie, não quero seguir
Definhando sol a sol
Me leva daqui
Eu quero partir
Requebrando um rock and roll
Nem quero saber
Como se dança o baião
Eu quero ligar
Eu quero um lugar
Ao som de Ipanema, cinema e televisão

Quebra Cabeça Sem Luz (Oswaldo Montenegro)

É na clareza da mente
Que explode a procura do novo processo
E o que é meu direito eu exijo e não peço
Com a intensidade de quem quer viver
E optar: ir ou não por ali
A nossa primeira antena é a palavra
Que amplia a verdade que assusta
E a gente repete que quer mais não busca
E de um modo abstrato se ilude que fez
Mas qualquer dia vai ter que ficar definido o caminho
É mais louco do que já supôs a tal sabedoria
magia que eu hoje procuro entender
Pra que o corpo supere a fadiga
você o que pensa do assunto
se a gente se encontra mas nunca tá junto
vivendo esse quebra cabeça sem luz
Pra não ficar dividida
minha mente estabeleci combinado faria
dizer pondo um pouco de mate
gelhá de fazer como os loucos
falando aos tropeços (perdão Rita Lee)
Pra que a gente se entenda algum dia
Há de ser como o louco Quixote
e a lógica insiste em guardar no seu pote
a mais linda palavra que eu ia dizer.
Mas qualquer dia você
vai me ver disfarçar (há) de fazer como eu
que disfarço na tal fantasia a magia
e só me fantasio do que venha ser
E o que se espera da minha cabeça
Há de ser invertido
E a sonata que eu já compus
virou rock/quem roubou minha loucura fui eu
e agora devolvi

Bandolins (Oswaldo Montenegro)

Como fosse um par que nessa valsa triste se desenvolvesse
ao som dos bandolins e como não
E por que não dizer
que o mundo respirava mais se ela apertava assim seu colo
e como se não fosse um tempo
em que já fosse impróprio se dançar assim
ela teimou e enfrentou o mundo se rodopiando ao som dos bandolins

Como fosse um lar seu corpo a valsa triste
iluminava e a noite caminhava assim
e como um par o vento e a madrugada iluminavam a fada do meu botequim
valsando como valsa uma criança que entra na roda a noite tá no fim,
e ela valsando só na madrugada
se julgando amada ao som dos bandolins