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Oswaldo Montenegro

Ficha Técnica:
Prod. Musical e Arranjos: Oswaldo Montenegro e Alexandre "Meu Rei"
Prod. Executiva: Madalena Salles e Paulo Carvalho
Participações especiais: Zé Ramalho na música "Do Muito e do Pouco" e Alceu Valença na música "Nem Todo Alceu é Valença"

Gravado e mixado no Eco-Som Estúdios, RJ - JUL/2004 a JUN/2006 
A Partir de Agora (2006)

Sexo (Oswaldo Montenegro)

Seja qual for o tema, o que te importa é sexo
Seja alegria, angústia, choro, encanto ou dor
Seja de ausência, sonho, tara ou por complexo
Seja na cama, palco, escada, elevador
Está no leite fluido que escorreu do ralo
Está no olhar de sal de Jack, o Estripador
E vem do fundo da garrafa pro gargalo
Está no riso obrigatório e no pavor
É o olhar de sal de Jack, o Estripador
Eu penso mais na tua pele e na tua língua
Do que na alma que teu olho me mostrou
É sem teu corpo que minha alma fica à míngua
É no teu seio que conserto o que quebrou
E quando falo da tua luz assim, quem dera
Ela acendesse em mim o santo que não sou
Mas ilumina em meu olhar o olhar da fera
Que entre tuas pernas carne sã despedaçou
É o olhar de sal de Jack, o Estripador
O que eu marquei na tua pele não se lava
Pode ser cheiro, hematoma ou cicatriz
É pelo sexo que meu sol te faz escrava
Quer seja santa, cidadã ou meretriz
Se perguntarem pelo irmão, não me aponte
Pra disfarçar escreva na chuva com giz
Que minha faca desfibrou seu horizonte
Rasgando a pele da paisagem por um triz
É a escolha entre ser calma e ser feliz
Seja qual for o tema, o que te importa é sexo
Seja cabala, umbanda, herói ou desertor
Seja loucura, de verdade ou tenha nexo
Seja ou não seja, ou seja, seja o que for
Seja dançar no vento, areia ou tempestade
Seja no sonho, seja no que despertou
Seja uma flor ou seja alguém na flor da idade
É o perdão ao lobo que te abocanhou
É o olhar de sal de Jack, o Estripador
 

Vamos Celebrar (Oswaldo Montenegro)

Eu gosto de andar pela rua, bater papo, de lua e de amigo engraçado
Eu gosto do estilo do Zorro, o visual lá do morro e de abraço apertado
Eu gosto mais de bicho com asa, mais de ficar em casa e mais de tênis usado
Eu gosto do volume, do perfume, do ciúme, do desvelo e do cabelo enrolado
Eu gosto de artistas diversos, de crianças de berço e do som do atchim
Eu gosto de trem fora do trilho, de andar com meu filho e da cor do marfim
Tem gente, muita gente que eu gosto, que eu quase aposto que não gosta de mim
Eu gosto é de cantar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar. Vamos celebrar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar. Vamos celebrar
Eu gosto de artista circense, de artista que pense e de artista voraz
Eu gosto de olhar para frente e de amar para sempre o que fica pra trás
Eu gosto de quem sempre acredita, a violência é maldita e já foi longe demais
Eu gosto do repique do atabaque, do alambique, badulaque, do cachimbo da paz
Eu gosto de inventar melodia, da palavra poesia e da palavra com til
Eu gosto é de beijo na boca, de cantora bem rouca e de morar no Brasil
Eu gosto assim do canto do povo e de tudo que é novo e do que a gente já viu
Eu gosto é de cantar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar. Vamos celebrar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar. Vamos celebrar
Eu gosto de atores que choram ali por nós e namoram ali por nós na TV
Eu gosto assim de quem é eterno e de quem é moderno e de quem não quer ser
Eu gosto de varar madrugada, de quem conta piada e não consegue entender
Eu gosto da risada, gargalhada, da beleza recriada pra que eu possa rever
Eu gosto de quem quer dar ajuda e acredita que muda o que não anda legal
Eu gosto de quem grita no morro que a alegria é socorro e que miséria é fatal
Eu gosto do começo, do avesso, do tropeço, do bebum que dança no carnaval
Eu gosto é de cantar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar. Vamos celebrar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar. Vamos celebrar
Eu gosto de ver coisa rara, a verdade na cara é do que gosto mais
Eu gosto, porque assim vale a pena, a nossa vida é pequena e ta guardada em cristais
Eu gosto é que Deus cante em tudo e que não fique mudo morto em mil catedrais
Eu gosto é de cantar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar. Vamos celebrar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar. Vamos celebrar
 

Do muito e do pouco (Oswaldo Montenegro e Zé Ramalho)

Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois
Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagina quem tem os dois
É muito quadro pr'uma parede
É muita tinta pr'um só pincel
É pouca água pra muita sede
Muita cabeça pr'um só chapéu
Muita cachaça pra pouco leite
Muito deleite pra pouca dor
É muito feio pra ser enfeite
Muito defeito pra ser amor
É muita rede pra pouco peixe
Muito veneno pra se matar
Muitos pedidos pra que se deixe
Muitos humanos a proliferar
Se em terra de cego que tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois
Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem o dois
 

Flor da Idade (Chico Buarque)

A gente faz hora, faz fila na vila do meio-dia
Pra ver Maria
A gente almoça e só se coça e se roça e só se vicia
A porta dela não tem tramela
A janela é sem gelosia
Nem desconfia
Ai, a primeira festa, a primeira fresta, o primeiro amor
Na hora certa, a casa aberta, o pijama aberto, a família
Armadilha
A mesa posta de peixe, deixa um cheirinho da sua filha
Ela vive parada no sucesso do rádio de pilha
Que maravilha
Ai, o primeiro copo, o primeiro corpo, o primeiro amor
Vê passar ela, como dança, balança, avança e recua
A gente sua
A roupa suja da cuja se lava no meio da rua
Despudorada, dada, à danada agrada andar seminua
E continua
Ai, a primeira dama, o primeiro drama, o primeiro amor
Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo
Que amava Juca que amava Dora que amava
Carlos amava Dora que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha
 

Ruínas de Sol (Oswaldo Montenegro)

 Como nasce do lodo do fundo dos mares
O velho vestígio da embarcação
Há de vir das ruínas dos nossos pesares
A primeira luz do nosso coração
Como nasce do fundo do poço escuro
A água cristalina pra/a matar nossa sede
Há de vir do oceano ou do leito/fundo de um rio
A nossa esperança envolvida na rede
Como nasce o jasmim do que sujou a terra
E a primeira estrela da ausência do sol
Hei de ver o verão germinar primavera
E a semente da terra no nosso lençol
Como a fúria da chuva lavou o telhado
E o cansaço nos fez a vigília enfrentar
As ruínas são restos, mas não do que acaba
E sim do que morre pra recomeçar
 

O Sexo dos Anjos (Oswaldo Montenegro)

O sexo dos anjos 'inda não foi descoberto
A água do deserto nunca quis se revelar
A vida se revela quando o olho ta aberto
A vida nunca pede permissão para passar
A borboleta azul na sua perna (atrevimento!)
Achou que era um vale e nunca mais tentou voar
Careca de peruca não resiste ao pé de vento
A chuva nunca pede permissão para molhar
É que a chuva nunca pede permissão para molhar
O sexo do poeta com a palavra vai dar certo
A língua portuguesa já é moça pra "casá"
E logo a tua boca grande vai chegando perto
O desejo nunca pede permissão pra cutucar
Se essa velocidade causa descarrilamento
Não bota o pé no freio que é pro trem não capotar
Não vale fazer gol se o cara tava em impedimento
Canta uma canção bonita falando da vida em ré maior
O dia nunca pede permissão pra te acordar
É que o dia nunca pede permissão pra ter acordar
O rio sinuoso vai transando com a campina
Cavalo só tem crina pra você poder pegar
O cheiro de molhado já inundou tua narina
O beija-flor não pede permissão para beijar
Roqueiro quarentão aposentou seu instrumento
Falou: "Eu não aguento mais ser jovem, vou parar"
E a natureza doida pra tecer mais um momento
Criou mais uma concha jogou na beira do mar
É que a vida nunca pede permissão para passar
Eu conheci um inglês que namorava Madalena
E a flauta da pequena resolveu desafiar
Ficou meio maluco, meio rádio sem antena
Deu um beijo na morena resolveram se casar
E o branquela se casou com a mulata do Nordeste
Inglês cabra da peste, Liverpoll no Ceará
Tiveram quatro filhos: Paulo, Antão, Zico e Celeste
A flauta nunca pede permissão pra pontear
A flauta nunca pede permissão pra pontear  

Cavalo de pau (Alceu Valença)

De puro éter assoprava o vento
Formando ondas pelo milharal
Teu pelo claro boneca dourada
Meu pelo escuro cavalo de pau
Cavalo doido, por onde trafegas?
Depois que eu vim parar na capital
Me derrubaste como quem me nega
Cavalo doido cavalo de pau
Cavalo doido em sonho me levas
Teu nome é vento, tempo, vendaval
Me derrubaste como quem me nega
Cavalo doido cavalo de pau
 

O Azul e o Tempo - A Partir de Agora (Oswaldo Montenegro)

Nada pra se acreditar
Mas o tempo mão manchou o azul
Nada pra se acreditar
Mas o vento baila o mar azul
Nada pra se acreditar
Mas ta tudo azul
Nada pra se acreditar
Mas a fé tingiu o azul de anil
Nada pra se acreditar
Mas os santos rezam pro Brasil
Nada pra se acreditar
Mas você já viu
Tudo que vai rebrilhar
Tudo que vai renascer
Tudo que vai nos salvar
Sem que a gente espere
Canta pra comemorar
Grita para amanhecer
Solta o choro da alegria
Que a paz adere
Pra se acreditar que o tempo não manchou o azul
Pra se acreditar que o vento baila o mar azul
Pra se acreditar que ta tudo azul

 

Virgem (Oswaldo Montenegro e Mongol)

Ela era virgem
E o vento alisava seus pelos pra ela suspirar
E era um namoro selvagem, de sexo, de ventania
E quando o vento não vinha
Ela mesmo corria pra ventar
Ela era virgem
E o mar só lambia suas coxas pra ela se molhar
E ela era só maresia em dia de tempestade
Ela deixava a cidade e abria suas pernas para o mar
E roçava os cães com a pele cálida
Pássaro na mão, cobras no ar
E amava tigres e leões, gatos nos porões
E à noite dormia encharcada
 

Poema Quebrado (Oswaldo Montenegro)

Eu era apenas rio
Esperando que você navegasse
Poema quebrado no frio
Num salão vazio
Esperando que você recitasse
Eu era a manhã cinzenta
Esperando de você a aurora
Um lobo de olhar em brasa
Te vendo em casa (e o lobo do lado de fora)
Eu era quem diria
A melodia que jamais compusera
E eu, que jamais daria
Era o verbo dar
Dizendo assim: quem dera!
Então não vá embora
Agora que eu posso dizer
Eu já era o que sou agora
Mas agora gosto de ser
 

Madrugou (Raíque Mackau)

Madrugou heim! Madrugou!
Madrugou heim! Madrugou!
Baticum na casa dela noite adentro entrou
Deu zum zum na minha cabeça eu tô doido de amor
Madrugou heim! Madrugou!
Madrugou heim! Madrugou!
Quando vi minha pequena dizendo acabou
Eu que sempre fui moreno fui perdendo a cor
Madrugou heim! Madrugou!
Madrugou heim! Madrugou!
Quem me olha tão sereno não sabe que eu tô
Me sentindo tão pequeno pra falar do meu amor
Madrugou heim! Madrugou!
Madrugou heim! Madrugou!

Chega mais junto, morena
Que é pr'eu te ver mais de perto
Porque por mais que há tempos te tenha
E essa memória me venha
Há tempos que não te enxergo
Se hoje te deixo em sossego
Num céu sujo de altas penhas
É porque não tô bem certo
Chega mais junto, morena
Pr'eu te olhar um pouco mais
Pois não sei se em abandono te sentes
E se contas os poentes
Pra ver quão presa ainda estás
E se te quero mais junto, morena
É que teu silêncio é demais

Madrugou heim! Madrugou!
Madrugou heim! Madrugou!
 

Quando a Gente Ama (Marcelo Barbosa, Bozzo Barretti, Nil Bernardes e Fábio Caetano)

Quem vai dizer ao coração
Que a paixão não é loucura
Mesmo que pareça insano acreditar
Me apaixonei por um olhar
Por um gesto de ternura
Mesmo sem palavra alguma pra falar
Meu amor, a vida passa num instante
E um instante é muito pouco pra sonhar
Quando a gente ama simplesmente ama
É impossível explicar
Quando a gente ama simplesmente ama
 

A incrível história de Mauro Shampoo (Oswaldo Montenegro)

Essa é a história verdadeira
Lenda urbana brasileira
Viva Mauro Shampoo!
O centro avante glorioso da derrota
Que a tristeza a gente enxota
Como enxota urubu
É no gol contra que se testa a alegria
Gol de placa é fantasia
Pois baião não é blues
E toca bola que essa bola ta pirada
Sempre faz a curva errada
E nosso gol fica nu
E gira a vida como fosse enceradeira
Futebol é brincadeira
Viva Mauro Shampoo!
Mas o anti craque dessas lidas
No intervalo das partidas
Só porque Deus acode
Pega a tesoura, pente, escova, creme rinse
Mãos de fada, olho de lince
Faz cabelo e bigode
Meio pereba, artista, herói, cabeleireiro
Mete a bola no cabelo que o cabelo sacode
Mauro Shampoo faz do vexame uma festança
E avisa toda a vizinhança
Hoje à noite: pagode!
E agradecido a Deus por tudo conquistado
Pelo gol nunca alcançado
É feliz como pode

 

Nem Todo Alceu é Valença (Oswaldo Montenegro)

Nem todo amor é bandido, todo sonho é legal
Nem todo beijo é ardido, toda paixão é fatal
Nem todo abraço é à vista, todo mundo é artista
Nenhum ponto de vista vai ser ponto final
Nem todo corpo se encaixa, todo afeto é moral
Nem todo mundo se abaixa pro chicote do mal
Nem todo mundo se alegra, todo mundo se esfrega
Nem todo amante se entrega, etc e tal
Nem todo exame avalia, nem toda foto é fiel
Nem toda festa é folia, nem toda lua é de mel
Nem todo Alceu é Valença, nem todo não é ruim
Nem todo sonho é doença, nem todo breque é o fim
Nem todo Léo é de Bia, nem todo amigo é irmão
Nem toda virgem Maria, nem todo sim é pois não
Nem toda ação é coragem, nem todo aviso é sermão
Nem toda trilha é viagem, nem todo intento é ação
Nem todo amor é bandido, todo sonho é legal
Nem todo beijo é ardido, toda paixão é fatal
Nem todo abraço é à vista, todo mundo é artista
E nenhum ponto de vista vai ser ponto final
Nem todo corpo se encaixa, todo afeto é moral
Nem todo mundo se abaixa pro chicote do mal
Nem todo mundo se alegra, todo mundo se esfrega
Nem todo amante se entrega, etc e tal
Nem toda moça é sozinha, nem todo mundo é de um só
Nem todo amigo é vizinho, nem todo amor vira pó
Nem toda escola te ensina, nem todo acerto valeu
Nem toda história termina quando o começo morreu
Nem todo amor é bandido, todo sonho é legal
Nem todo beijo é ardido, toda paixão é fatal
Nem todo abraço é à vista, todo mundo é artista
Nenhum ponto de vista vai ser ponto final
Nem todo corpo se encaixa, todo afeto é moral
Nem todo mundo se abaixa pro chicote do mal
Nem todo mundo se alegra, todo mundo se esfrega
Nem todo amante se entrega, etc e tal