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Oswaldo Montenegro

Ficha Técnica:

Intimidade (2008)


Produção: Luiz Carlos "Meu Bom"

Gravação: Alberto Vaz no Estúdio Mega

Mixagem: Alberto Vaz no Estúdio Som Livre – RJ

Masterização: Julio Carneiro no estúdio Som Livre

- Músicos:
Oswaldo Montenegro: Voz, Violão 12 cordas e piano 
Madalena Salles: Flauta e teclado
Sérgio Chiavazzoli: violão e bandolim 
Alexandre Meu Rei: baixo e violão
Pedro Amorim: bandolim
Caíque Vandera: Piano e teclado

Pedro Mamede: Bateria

Participação Especial: Zeca Baleiro

Intimidade (2008)

Pra Longe do Paranoá (Oswaldo Montenegro)

 Numa tarde quente eu fui-me embora de Brasília

Num submarino do Lago Paranoá
Quero ser estrela lá no Rio de Janeiro
Namorando Madalena na beira do mar
Qualquer dia, mãe, você vai ter uma surpresa
Vendo na TV meu peito quase arrebentar
Quero ser estrela lá no Rio de Janeiro
Namorando Madalena na beira do mar
Quem quiser que faça o velho jogo da política
Na sifilítica maneira de pensar
Quero ser estrela lá no Rio de Janeiro
Namorando Madalena na beira do mar
Eu tenho o coração vermelho
E o que eu canto é o espelho do que se passa por lá

Estrada Nova (Oswaldo Montenegro / Mongol)

Eu conheço o medo de ir embora
Não saber o que fazer com a mão
Gritar pro mundo e saber
Que o mundo não presta atenção
Eu conheço o medo de ir embora
Embora não pareça, a dor vai passar
Lembra se puder
Se não der, esqueça
De algum jeito vai passar
O sol já nasceu na estrada nova
E mesmo que eu impeça, ele vai brilhar
Lembra se puder
Se não der esqueça
De algum jeito vai passar

Eu conheço o medo de ir embora
O futuro agarra a sua mão
Será que é o trem que passou
Ou passou quem fica na estação?
Eu conheço o medo de ir embora
E nada que interessa se pode guardar
Lembra se puder
Se não der esqueça

De algum jeito vai passar 

Lume de Estrelas (Oswaldo Montenegro / Mongol)

Toda vez que eu volto, to partindo
E no sentido exato é por saudade
Ah, coração! Taí a festa e nós
Por aí vai nossa colorida idade
Diga depressa com quantas paixões
Faz-se a canoa do amor que a gente quer
E quando eu não voltar acenda o mesmo lume

De estrelas que eu deixei no seu olhar 

Rasura (Oswaldo Montenegro)

Me desculpe o mesmo gesto
Meu constante gesto insano
Que por mais que a mente negue
O coração ele marcou
Como a lógica dos fatos
Que eu traí a todo instante
Rasurando o nosso branco
Com a mistura que eu sou
Me desculpe o gesto louco

A aspereza da loucura
Ainda queima no meu calmo
Doido e calmo coração
Mas por que, se a gente é tanto
Nosso amor sofreu rasura?
Nosso inconfundível gesto
eu desfiz na minha mão

Me desculpe, ou melhor, não
Me abraça e comemora
A rasura que foi feita
Foi perfeita na sua hora
E mais que o mais perfeito
Rasurar valeu a pena
Como esteve rasurado
O primeiro original

Do mais lindo poema 

Vamos Celebrar (Oswaldo Montenegro)

 Eu gosto de andar pela rua, bater papo, de lua

E de amigo engraçado
Eu gosto do estilo do Zorro
o visual lá do morro e de abraço apertado
Eu gosto mais de bicho com asa
mais de ficar em casa e mais de tênis usado
Eu gosto do volume, do perfume
do ciúme, do desvelo e do cabelo enrolado
Eu gosto de artistas diversos
de crianças de berço e do som do atchim
Eu gosto de trem fora do trilho
de andar com meu filho e da cor do marfim
Tem gente, muita gente que eu gosto
que eu quase aposto que não gosta de mim
Eu gosto é de cantar
Vamos celebrar, Vamos celebrar

Eu gosto de artista circense
de artista que pense, de artista voraz
Eu gosto de olhar para frente
e de amar para sempre o que fica pra trás
Eu gosto de quem sempre acredita
a violência é maldita e já foi longe demais
Eu gosto do repique, do atabaque
do alambique, badulaque, do cachimbo da paz
Eu gosto de inventar melodia
da palavra poesia e de palavra com til
Eu gosto é de beijo na boca
de cantora bem rouca e de morar no Brasil
Eu gosto assim do canto do povo
e de tudo que é novo e do que a gente já viu
Eu gosto é de cantar
Vamos celebrar, vamos celebrar

Eu gosto de atores que choram ali por nós
e namoram ali por nós na TV
Eu gosto assim de quem é eterno
de quem é moderno e de quem não quer ser
Eu gosto de varar madrugada
de quem conta piada e não consegue entender
Eu gosto da risada, gargalhada
da beleza recriada pra que eu possa rever
Eu gosto de quem quer dar ajuda
e acredita que muda o que não anda legal
Eu gosto de quem grita no morro
que a alegria é socorro e que miséria é fatal
Eu gosto do começo, do avesso
do tropeço, do bebum que dança no carnaval
Eu gosto é de cantar
Vamos celebrar, Vamos celebrar


Eu gosto é de ver coisa rara
a verdade na cara é do que gosto mais
Eu gosto porque assim vale a pena
a nossa vida é pequena e tá guardada em cristais
Eu gosto é que Deus cante em tudo
e que não fique mudo, morto em mil catedrais
Eu gosto é de cantar
Vamos celebrar, vamos celebrar

Lua e Flor (Oswaldo Montenegro)

 Eu amava, como amava algum cantor

De qualquer clichê
De cabaré, de lua e flor
Eu sonhava como a feia na vitrine
Como carta que se assina em vão
Eu amava, como amava um sonhador
Sem saber por que
E amava ter no coração
A certeza ventilada de poesia
De que o dia não amanhece não
Eu amava como um pescador
Que se encanta mais com a rede que com o mar
Eu amava como jamais poderia
Se soubesse como te contar

Léo e Bia (Oswaldo Montenegro)- Partic. Especial Zeca Baleiro

 No centro de um planalto vazio

Como se fosse em qualquer lugar
Como se a vida fosse um perigo
Como se houvesse faca no ar
Como se fosse urgente e preciso
Como é preciso desabafar
Qualquer maneira de amar varia
E Léo e Bia souberam amar

Como se não fosse tão longe
Brasília de Belém do Pará
Como castelos nascem dos sonhos
Pra no real achar seu lugar
Como se faz com todo cuidado
A pipa que precisa voar
Cuidar de amor exige mestria
E Léo e Bia souberam amar

Intuição (Oswaldo Montenegro / Ulysses Machado)

 Canta uma canção bonita

Falando da vida em ré maior
Canta uma canção daquela
De filosofia e mundo bem melhor
Canta uma canção que aguente essa paulada
E a gente bate o pé no chão
Canta uma canção daquela
Pula da janela, bate o pé no chão
Sem o compromisso estreito
De falar perfeito, coerente ou não
Sem o verso estilizado, o verso emocionado
Bate o pé no chão
Canta o que não silencia
É onde principia a intuição
E nasce uma canção rimada
Da voz arrancada ao nosso coração
Como sem licença, o sol rompe a barra da noite
Sem pedir perdão
Hoje quem não cantaria grita a poesia
Bate o pé no chão
E hoje quem não cantaria grita a poesia
E bate o pé no chão

Aquela Coisa Toda (Mongol)

 Olhe bem nos meus olhos

Olhe bem pra você
O fato é que a gente perdeu toda aquela magia
A porta dos meus quinze anos não tem mais segredo
E velha, tão velha ficou nossa fotografia
Olhe bem nos meus olhos
Olhe bem pra você
A quem é que a gente engana com a nossa loucura?
De certo que a gente perdeu a noção do limite
E atrás tem alguém que virá, que virá, que virá, que virá, que virá

A Lista (Oswaldo Montenegro)

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás?
Quantos você ainda vê todo dia?
Quantos você já não encontra mais?
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar?
Quantos amores jurados pra sempre?
Quantos você conseguiu preservar?
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos, ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assovia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava

Hoje acredita que amam você? 

Sou Uma Criança, Não Entendo Nada (Erasmo Carlos / Ghiaroni)

Antigamente quando eu me excedia
Ou fazia alguma coisa errada
Naturalmente, minha mãe dizia:
Ele é uma criança, não entende nada
Por dentro eu ria, satisfeito e mudo
Eu era um homem e entendia tudo
 
Hoje só com meus problemas
Rezo muito, mas eu não me iludo
Sempre me dizem quando fico sério:
Ele é um homem e entende tudo
Por dentro com a alma atarantada

Sou uma criança, não entendo nada 

Andando e Andando em Copacabana (Oswaldo Montenegro)

Eu tava andando em Copacabana
Assim com jeito de fim de semana
E vi alguém virando um brâmani oriental
Entrei num bar pedindo logo uma Brahma
Achei perfeita a confusão que emana dessa terra
E achei você meio sem sal
Não é que seja uma visão sacana
Mas você, menina, até hoje se ufana
De ter lido Goethe no original
Dispense a carta, mande um telegrama
Chame de orgasmo o que sentiu na cama
E vá rever Viena nesse carnaval
Eu acho leve o tal rock pesado
Acho que ser ou não se ser viado tá ultrapassado
E não me leve a mal
Eu continuo em Copacabana sem saudades suas
Acabou a grana e esse nosso amor que eu já achei bacana
Chega ao seu final
Mudei de tom pra ver se a coisa muda
Mas a melodia hoje não me ajuda
Ai meu Deus, valei
Meu São Jobim me acuda, que esse tom tá mal
E ainda que pese na tua balança
Aquela velha frase que quem corre alcança
Hoje eu vou de táxi, que correr cansa
E eu não tô legal
Eu não tô legal
Eu não tô legal

    

Bandolins (Oswaldo Montenegro)

Como fosse um par, que nessa valsa triste
Se desenvolvesse ao som dos bandolins
E como não, e por que não dizer
Que o mundo respirava mais se ela apertava assim
Seu colo e como se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio se dançar assim
Ela teimou e enfrentou o mundo
Se rodopiando ao som dos bandolins
 
Como fosse um lar, seu corpo a valsa triste iluminava
E a noite caminhava assim
E como um par, o vento e a madrugada
Iluminavam a fada do meu botequim
Valsando como valsa uma criança
Que entra na roda, a noite tá no fim
E ela valsando só na madrugada

Se julgando amada ao som dos bandolins 

O Condor (Oswaldo Montenegro)

Quando voa o condor com o céu por detrás
Traz na asa ao sonho com o céu por detrás
Voa condor! A gente voa atrás
Voa atrás do sonho com o céu por detrás
 
Ah, que que o voo do condor no sol
Trace a linha da nossa paixão
Eu quero que seja
mostrada no meio da rua e rolando no chão
Ah, que a gente despedace em luz
Ah, que Deus seja o que quiser
Explode a cabeça
com olho de bicho
mas com coração de mulher
 
Quando voa o condor com o céu por detrás
Traz na asa ao sonho com o céu por detrás
Voa condor! A gente voa atrás
Voa atrás do sonho com o céu por detrás
 
Ah, se fosse como a gente quer
Ah, e se o planeta explodir
Eu quero que seja em plena manhã de domingo
E que eu possa assistir
Ah, que a miserável condição
da raça humana procurando o céu
levante a cabeça
e ao levantar, por encanto, escorregue seu véu
 
Quando voa o condor com o céu por detrás
Traz na asa ao sonho com o céu por detrás
Voa condor! A gente voa atrás
Voa atrás do sonho com o céu por detrás