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Oswaldo Montenegro

Ficha Técnica:
Produzido por: Roberto Menescal
Oswaldo Montenegro: voz, violão, guitarra, teclados e coro
Roberto Menescal: violão e guitarra
Participação Especial: Paloma Duarte em "Água Viva"

Técnicos de Gravação: Márcio Menescal e Fernando Dale
Técnico de Mixagem: Márcio Menescal
Foto: Madalena Salles
lustração: Carlos Menezes para AB2 Comunicação
Capa: Luciano Soares
Roberto Menescal usou guitarra e violão de aço "Condor" e violão de nylon e cordas "Giannini" 
Letras Brasileiras II (2003)

Admirável Gado Novo (Zé Ramalho)

Vocês, que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber
E ter de demonstrar sua coragem
À margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
Já sente a ferrugem lhe comer Eh, ô, vida de gado
Povo marcado, povo feliz Lá fora faz um tempo confortável
A vigilância cuida do normal
Os automóveis ouvem a notícia
Os homens a publicam no jornal
E correm através da madrugada
A única velhice que ficou
Demoram-se na beira da estrada
E passam a contar o que sobrou Eh, ô, vida de gado
Povo marcado, povo feliz O povo foge da ignorância
Apesar de viver tão perto dela
E sonham com melhores tempos idos
Contemplam esta vida numa cela
Esperam nova possibilidade
De verem este mundo se acabar
A arca de Noé, o dirigível
Não voam nem se pode flutuar Eh, ô, vida de gado
Povo marcado, povo feliz
 

Água Viva (Raul Seixas e Paulo Coelho)

Eu conheço bem a fonte
Que desce aquele monte
Ainda que seja de noite
Nessa fonte está escondida
O segredo dessa vida
Ainda que seja de noite
Êta fonte mais estranha
Que desce pela montanha
Ainda que seja de noite
Sei que não podia ser mais bela
Que os céus e a terra bebem dela
Ainda que seja de noite
Sei que são caudalosas as torrentes
Que regam os céus, infernos, regam gentes
Ainda que seja de noite
Assim como todas as portas são diferentes
Aparentemente todos os caminhos são diferentes
Mas vão dar todos no mesmo lugar
O caminho do fogo é a água
Assim como o caminho do barco é o porto
O caminho do sangue é o chicote
Assim como o caminho do reto é o torto
O caminho do risco é o sucesso
Assim como o caminho do acaso é a sorte
O caminho da dor é o amigo
O caminho da vida é a morte
Nessa fonte está escondida
O segredo dessa vida
Ainda que seja de noite
Êta fonte mais estranha
Que desce pela montanha
Ainda que seja de noite
Sei que não podia ser mais bela
Que os céus e a terra bebem dela
Ainda que seja de noite
Sei que são caudalosas as torrentes
Que regam os céus, infernos, regam gentes
Ainda que seja de noite
 

Muito Romântico (Caetano Veloso)

Não tenho nada com isso, nem vem falar
Eu não consigo entender sua lógica
Minha palavra cantada pode espantar
E a seus ouvidos parecer exótica
Mas acontece que eu não posso me deixar
Levar por um papo que já não deu
Acho que nada restou pra guardar ou lembrar
Do muito ou pouco que houve entre você e eu
Nenhuma força virá me fazer calar
Faço no tempo soar minha sílaba
Canto somente o que pede pra se cantar
Sou o que soa, eu não douro a pílula
Tudo o que eu quero é um acorde perfeito maior
Com todo o mundo podendo brilhar no cântico
Canto somente o que não pode mais se calar
Noutras palavras, sou muito romântico

 

Samba e Amor (Chico Buarque de Hollanda)

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã
Escuto a correria da cidade, que arde
E apressa o dia de amanhã
De madrugada a gente ainda se ama
E a fábrica começa a buzinar
O trânsito contorna a nossa cama, reclama
Do nosso eterno espreguiçar
No colo da bem-vinda companheira
No corpo do bendito violão
Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito mais o que fazer
Escuto a correria da cidade, que alarde
Será que é tão difícil amanhecer?
Não sei se preguiçoso ou se covarde
Debaixo do meu cobertor de lã
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã
 

Tocando em Frente (Renato Teixeira e Almir Sater)

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe?
Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei, eu nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs, o sabor das massas e das maçãs,
É preciso o amor pra poder pulsar, é preciso paz pra poder sorrir, é preciso chuva para florir
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou, estrada eu sou
Todo mundo ama um dia, todo mundo chora
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si, carrega o dom de ser capaz de ser feliz
Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
 

Minha História (Gesubambino) (Lucio Dalla e Paola Pallotino)

Ele vinha sem muita conversa, sem muito explicar
Eu só sei que falava e cheirava e gostava de mar
Sei que tinha tatuagem no braço e dourado no dente
E minha mãe se entregou a esse homem perdidamente
Ele assim como veio partiu não se sabe pra onde
E deixou minha mãe com o olhar cada dia mais longe
Esperando, parada, pregada na pedra do porto
Com seu único velho vestido cada dia mais curto
Quando enfim eu nasci minha mãe embrulhou-me num manto
Me vestiu como se eu fosse assim uma espécie de santo
Mas por não se lembrar de acalantos, a pobre mulher
Me ninava cantando cantigas de cabaré
Minha mãe não tardou alertar toda a vizinhança
A mostrar que ali estava bem mais que uma simples criança
E não sei bem se por ironia ou se por amor
Resolveu me chamar com o nome do Nosso Senhor
Minha história é esse nome que ainda hoje carrego comigo
Quando vou, bar em bar, viro a mesa, berro, bebo e brigo
Os ladrões e as amantes, meus colegas de copo e de cruz
Me conhecem só pelo meu nome Menino Jesus 

A Paz (Leila IV) (Gilberto Gil e João Donato)

A paz
Invadiu o meu coração
De repente, me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais
A paz Fez o mar da revolução
Invadir meu destino
A paz Como aquela grande explosão
De uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz
Eu pensei em mim, eu pensei em ti, eu chorei por nós
Que contradição, só a guerra faz nosso amor em paz
Eu vim, vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos ais
A paz

 

A Volta da Asa Branca (Zé Dantas e Luiz Gonzaga)

Já faz três noites que pro Norte relampeia
A Asa Branca ouvindo o ronco do trovão
Já bateu asas e voltou pro meu sertão
Ai meu Deus eu vou-me embora
Vou cuidar da plantação
A seca fez eu desertar da minha terra
Mas felizmente Deus agora se “alembrou”
De mandar chuva pra esse sertão sofredor
Sertão das “muié sérias” dos “homi trabaiadô”
Rios correndo, as cachoeiras tão zoando
Terra molhada, mato verde, que riqueza!
E a Asa Branca tarde canta, que beleza!
Ai ai meu povo alegre, mas alegre a natureza
Sentindo a chuva me “arrecordo” de Rosinha
A linda flor do meu Sertão Pernambucano
E se a safra não atrapalhar meus plano
Que que há seu vigário? Vou casar no fim do ano
 

Camisa Amarela (Ary Barroso)

 Encontrei o meu pedaço na avenida
De camisa amarela
Cantando a Florisbela, oi, a Florisbela
Convidei-o a voltar pra casa
Em minha companhia
Exibiu-me um sorriso de ironia
Desapareceu no turbilhão da galeria Não estava nada bom
O meu pedaço na verdade
Estava bem mamado
Bem chumbado, atravessado
Foi por aí cambaleando
Se acabando num cordão
Com o reco-reco na mão
Mais tarde o encontrei
Num café zurrapa
Do Largo da Lapa
Folião de raça
Tomando o quarto copo de cachaça
Isto não é chalaça
Voltou às sete horas da manhã
Mas só na quarta feira
Cantando A Jardineira, oi, A Jardineira
Me pediu ainda zonzo
Um copo d'água com bicarbonato O meu pedaço estava ruim de fato
Pois caiu na cama
E não tirou nem o sapato E roncou uma semana
Despertou mal humorado
Quis brigar comigo
Que perigo, mas não ligo
O meu pedaço me domina
Me fascina, ele é o tal Por isso não levo a mal
Pegou a camisa, a camisa amarela
E botou fogo nela
Gosto dele assim
Passada a brincadeira
E ele é pra mim
Meu Sinhô do Bonfim
 

Meu Pobre Blues (Sérgio Sampaio) / Como 2 e 2 (Caetano Veloso)

Meu amigo...
Um dia eu ouvi maravilhado
No radinho do meu vizinho
Seu rockzinho antigo
E foi como se alguma bomba
Houvesse explodido no ar
Algumas lágrimas bastam pra consolar
Tudo vai mal, tudo
Tudo mudou não me iludo e contudo
É a mesma porta sem trinco
O mesmo teto
É a mesma lua a furar nosso zinco
Meu amor
Até o nosso calhambeque não te reconhece mais
Eu trouxe um novo blues com cheiro de dez anos atrás
Que penso ouvir você cantar
Meu amor
Tudo em volta está deserto, tudo certo
Tudo certo como dois e dois são cinco
Quando você me ouvir cantar
Venha, não creia
Eu não corro perigo
Digo, não digo, não ligo
Deixo no ar
Eu sigo apenas porque eu gosto de cantar
Tudo vai mal, tudo
Tudo é igual quando eu canto e sou mudo
Mas eu não minto, não minto
Estou longe e perto
Sinto alegrias, tristezas e brinco
Meu amor
Tudo em volta está deserto, tudo certo
Tudo certo como dois e dois são cinco
Quando você me ouvir chorar
Tente, não cante, não conte comigo
Falo, não calo, não falo
Deixo sangrar
Algumas lágrimas bastam pra consolar
Tudo vai mal, tudo
Tudo mudou, não me iludo e, contudo
É a mesma porta sem trinco
O mesmo teto
E a mesma lua a furar nosso zinco
Meu amor
Tudo em volta está deserto, tudo certo
Tudo certo como dois e dois são cinco
Meu amor
Tudo em volta está deserto, tudo certo
Tudo certo como dois e dois são cinco
Foi inútil
Tudo certo

 

Letras Brasileiras nº 2 (O Pássarto Branco) (Oswaldo Montenegro)

 Meu pássaro branco foi embora
Sabia que ele ia voar
Seu cabelo negro no vento
Sozinha lá fora alguém ia levar
Paixões sempre contam mentiras
O amor sempre diz como é
O amor é a praia segura
Paixão é o barco à mercê da maré
E eu, viajante à procura
De sonhos loucuras e sons
Me perco da praia segura
E o pássaro jura são esses meus dons
E toda letra brasileira
Só fala de andar por andar
E cada cidade é primeira
Não é brincadeira nunca chegar
Meu pássaro branco foi embora
Sozinha lá fora alguém ia levar
Paixões sempre contam mentiras
O amor sempre diz como é
O amor é a praia segura
Paixão é o barco à mercê da maré

Me deixe Mudo (Walter Franco)


Me deixe mudo
Não diga nada
Saiba de tudo
Fique calada
Me deixe mudo Seja num canto
Seja num centro
Fique por fora
Fique por dentro Seja o avesso
Seja a metade
Se for começo Fique à vontade
Não me pergunte
Não me responda
Não me procure
E não se esconda