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Oswaldo Montenegro

Ficha Técnica:
Direção Artística: Oswaldo Montenegro
Arranjos: Oswaldo Montenegro
Capa: Soares Filho
Gravado e Mixado nos Estúdios Bemol / BH
 
Cristal (1983)

O Gago (Oswaldo Montenegro)

É como gago que não parecia
gago como a gente ria
meio gargalhando gago

E era uma vitrine, os olhos da menina
e a gente ria muito no quintal
e é feitiçaria como a gente ria
gargalhando do bem e do mal
 

Lendas (Oswaldo Montenegro)

Lendas são para se contar
as cores do dia são lendas
fantasias como lençóis
que nos teus sonhos desvendas

Lendas são para se contar
sem ter medo nem pressa
como o vento constrói no ar
aquilo que lhe interessa
 

A Primeira Estrela (Oswaldo Montenegro)

A primeira estrela
apontou pro viajante
qual é o caminho
que leva à beira do mar

Mas três condições
ele teria que cumprir
para chegar:

Ensinar a todos que pedissem
seu caminho
sem cobrar

Cada fruta boa
que ele comesse
ia plantar

E a terceira condição
era um segredo
que ele nunca quis contar

Mas o viajante
quando chegou até o mar
quis pegar a estrela
a quem resolvera amar

E a primeira estrela
que amava o viajante
jogou sua imagem
na água sem pensar

E o que conta a lenda
é que justo nesse instante
nasceu a primeira
estrela do mar


 

Léo e Bia (Oswaldo Montenegro)


No centro de um planalto vazio
Como se fosse em qualquer lugar
Como se a vida fosse um perigo
Como se houvesse faca no ar
Como se fosse urgente e preciso
Como é preciso desabafar
Qualquer maneira de amar varia
E Léo e Bia souberam amar

Como se não fosse tão longe
Brasília de Belém do Pará
Como castelos nascem dos sonhos
Pra no real achar seu lugar
Como se faz com todo cuidado
A pipa que precisa voar
Cuidar de amor exige mestria
E Léo e Bia souberam amar

 

Kid Cultura (Oswaldo Montenegro)

Numa tarde de verão em que nevava pra cacete
Eu compus um grande rock, grande como a ponta de um alfinete
Era grande como é grande tudo o que não está à mão
Com total mediocridade eu fiz essa canção
Toda grande obra de arte quase sempre pede um tema
Eu achei um personagem pra falar no meu poema
É o tal Kid Cultura o valentão do nosso Oeste
Que alastrou na nossa vida bem pior que a peste
Ele andava pelos bares arrotando a tal cultura
Dividia a nossa história em linha mole e linha dura
E se alguém o desafiava desferia sem perdão
Nove ou dez palavras chaves e ganhava a discussão
"A incoerência inverossímil é a antropofagia biovilesca, não acham?"
Desfilava em Ipanema o gênio da contra-cultura
E sorria lá de cima (ninguém estava à sua altura)
E se alguém não entendeu o filme que ele viu
Explicava o simbolismo: "Aquilo era o Brasil"
Já havia feito yoga, trans-doin transcendental
Não ligava para moda (ele era original)
Não estudava, só fazia pesquisas pelo Brasil
E sacava da garganta nomes que ninguém viu:
“Já dizia Marc Dutra no seu livro Franci Delt
Que a normália transcendência é a virtude poroleuti
E o que o Freud não explica eu pesquisei no Afeganistão
Já dizia Rala Putra efe é cold, irmão
Como disse Clifen Housen referanda melecause
Tem um quê de homossexualismo nesse tal de Mickey Mouse!”
E dizia ser poeta, mas não escrevia não
Pra manter sua arte pura sem corrupção
Mas um dia de repente lá no bar apareceu
Alguém que era consistente e o Kid até tremeu
Sacou do copo já gritando: "Ele não entende nada!"
Mas o outro não tinha medo e soltou a gargalhada
Kid Cultura quis fugir mas o outro não deixou
Sacou um livro verdadeiro e no Kid jogou
E ao contato com a cultura o nosso Kid estremeceu
Quando um grito se ouviu, Kid Cultura morreu
E o pior da nossa história é que ela não acaba aqui
Isso tudo foi um sonho: Kid Cultura tá solto por aí
 

Espelho das Águas (Oswaldo Montenegro)

Tira o sol daqui
Tira o sol de lá
Deixa o espelho das águas
No clarão da lua
 

Cidade Doida (Oswaldo Montenegro)

Eu vim andando e aqui parei
Bobeou, fico louco, ah!
Onde a gente foi perder o trem da fantasia?
Vai, diga lá como vai, vai dizer já como vai!
Por que não? Ou não? Por quê?

 

Verde (Oswaldo Montenegro e Mongol)

Verde, verde, folha desabada
doida cor sem ter qualquer razão de ser
mágica das coisas, das verdes coisas
dos olhos verdes de quem vê.

Hortelã dos chás, dos beijos verdes
doida flor sem ter qualquer razão de ser
lógica das novas, das coisas novas
dos olhos verdes de quem vê

Verde maçã da saúde e água
doido amor sem ter qualquer razão de ser
ávida das moças, das novas moças
dos olhos verdes de quem vê

Como rã saltando é folha verde
doido acordo tem qualquer razão de ser
plástica dos olhos, dos verdes olhos
dos olhos verdes de quem vê