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Oswaldo Montenegro

Ficha Técnica:
Arranjos: Léo Brandão e Oswaldo Montenegro
Violão, teclado e voz: Oswaldo Montenegro
Flauta: Madalena Salles
Teclados : Léo Brandão
Part. especial: Eduardo Costa
Produção: Vinícius Sá
 
Escondido no Tempo (1999)

Por Brilho (Oswaldo Montenegro)

Onde vá
Onde quer que vá
Leva o coração feliz
Toca a flauta da alegria
Como doce menestrel
Onda vá,
Onde quer que eu vá
Vou estar de olho atento
À tua menor tristeza
Por no teu sorriso o mel
Onde vá
Vá para ser estrela
As coisas se transformam
E isso não é bom nem mal
E onde quer que eu esteja
O nosso amor tem brilho
Vou ver o teu sinal
 

Se Puder Sem Medo (Oswaldo Montenegro)

Deixa em cima desta mesa a foto que eu gostava
Pr'eu pensar que o teu sorriso envelheceu comigo
Deixa eu ter a tua mão mais uma vez na minha
Pra que eu fotografe assim meu verdadeiro abrigo
Deixa a luz do quarto acesa, a porta entreaberta
O lençol amarrotado, mesmo que vazio
Deixa a toalha na mesa e a comida pronta
Só na minha voz não mexa, eu mesmo silencio
Deixa o coração falar o que eu calei um dia
Deixa a casa sem barulho achando que ainda é cedo
Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia
Deixa tudo como está e se puder, sem medo
Deixa tudo que lembrar, eu finjo que esqueço
Deixa e quando não voltar, eu finjo que não importa
Deixa eu ver se me recordo uma frase de efeito
Pra dizer te vendo ir, fechando atrás a porta
Deixa o que não for urgente, que eu 'inda preciso
Deixa o meu olhar doente pousado na mesa
Deixa ali teu endereço, qualquer coisa, aviso
Deixa o que fingiu levar, mas deixou de surpresa
Deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo
Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande
Deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo
Se o adeus demora, a dor no coração se expande
Deixa o disco na vitrola, pr'eu pensar que é festa
Deixa a gaveta trancada, pr'eu não ver tua ausência
Deixa a minha insanidade, é tudo o que me resta
Deixa eu por à prova toda minha resistência
Deixa eu confessar meu medo do claro e do escuro
Deixa eu contar que era farsa minha voz tranqüila
Deixa pendurada a calça de brim desbotado
Que como esse nosso amor ao menor vento oscila
Deixa eu sonhar que você não tem nenhuma pressa
Deixa um último recado na casa vizinha
Deixa de sofisma e vamos ao que interessa
Deixa a dor que eu lhe causei, agora é toda minha
Deixa tudo que eu não disse, mas você sabia
Deixa o que você calou e eu tanto precisava
Deixa o que era inexistente e eu pensei que havia
Deixa tudo o que eu pedia, mas pensei que dava
 

Escondido no Tempo (Oswaldo Montenegro)

Como o legado do mayas, menina
Como o que vem da maré
Tá escondido no tempo, menina
Aquilo que a gente é
Como o segredo da cor turmalina
O fim da nação Aymoré
Tá escondido no tempo, menina
Aquilo que a gente é
O inventor da gandaia, é tudo o que eu quero ser
O rei do rabo de arraia, menina, é tudo o que quero ser
E gente da tua laia, é tudo o que eu quero ser
E esse tomara que caia, menina, é tudo o que eu quero ser
Como o segredo do sol que ilumina
Londres e a Praça da Sé
Tá escondido no tempo, menina
Aquilo que a gente é
Como que nasceu em Amaralina
Que traz o gingado no pé
Tá escondido no tempo, menina
Aquilo que a gente é
O defensor da mulata é tudo o que eu quero ser
O perdedor da regata, menina, é tudo o que eu quero ser
O Zumbi da tua mata é tudo o que eu quero ser
O percussionista de lata, menina, é tudo o que eu quero ser
Como o poema de Cora Coralina é irmão de "E Agora José?"
Tá escondido no tempo, menina, aquilo que a gente é
A solidão de Buckowsky e a sina de quem não sabe o que quer
Tá escondido no tempo, menina
Aquilo que a gente é
O grão-vizir da Baixada é tudo o que eu quero ser
O demolidor da fachada, menina, é tudo o que eu quero ser
O doido da madrugada é tudo o que eu quero ser
Um ser estranho ou nada, menina, é tudo o que eu quero ser
Como o painel de Van Gogh e a retina e o sangue azul da ralé
Tá escondido no tempo, menina, aquilo que a gente é
Como quem diz que me odeia e me anima, qual o segredo da fé
Tá escondido no tempo, menina
Aquilo que a gente é
É tudo o que eu quero ser
 

Lua e Flor (Oswaldo Montenegro)

Eu amava como amava algum cantor
De qualquer clichê, de cabaré, de lua e flor
Eu sonhava como a feia na vitrine
Como carta que se assine em vão
Eu amava como amava um sonhador
Sem saber por quê e amava ter no coração
A certeza ventilada de poesia
De que o dia não amanhece não
Eu amava como amava um pescador
Que se encanta mais com a rede que com o mar
Eu amava como jamais poderia
Se soubesse como te contar
 

Léo e Bia (Oswaldo Montenegro)

No centro de um planalto vazio
Como se fosse em qualquer lugar
Como se a vida fosse um perigo
Como se houvesse faca no ar
Como se fosse urgente e preciso
Como é preciso desabafar
Qualquer maneira de amar varia
E Léo e Bia souberam amar
Como se não fosse tão longe
Brasília de Belém do Pará
Como castelos nascem dos sonhos
Pra no real achar seu lugar
Como se faz com todo cuidado
A pipa que precisa voar
Cuidar de amor exige mestria
E Léo e Bia souberam amar
 

Pra Longe do Paranoá (Oswaldo Montenegro)

Numa tarde quente eu fui-me embora de Brasília
Num submarino do lago Paranoá
Quero ser estrela lá no Rio de Janeiro
Namorando Madalena na beira do mar
Qualquer dia, mãe, você vai ter uma surpresa
Vendo na TV meu peito quase arrebentar
Quero ser estrela lá no Rio de Janeiro
Namorando Madalena na beira do mar
Quem quiser que faça o velho jogo da política
Na sifilítica maneira de pensar
Quero ser estrela lá no Rio de Janeiro
Namorando Madalena na beira do mar
Eu tenho o coração vermelho e o que canto
É o espelho do que se passa por lá
Lá no Rio de Janeiro
Namorando Madalena na beira do mar
 

Metade (Oswaldo Montenegro)

Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca Porque metade de mim é o que eu grito, a outra metade é silêncio. Que a música que ouço ao longe seja linda, ainda que tristeza Que a mulher que amo seja pra sempre amada, mesmo que distante Porque metade de mim é partida, a outra metade é saudade. Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece, nem repetidas com fervor Apenas respeitadas Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos Porque metade de mim é o que ouço, a outra metade é o que calo. Que a minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que mereço Que a tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada Porque metade de mim é o que penso, a outra metade é um vulcão. Que o medo da solidão se afaste E o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que me lembro ter dado na infância Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei. Que não seja preciso mais do que uma simples alegria pra me fazer aquietar o espírito E que o teu silêncio me fale cada vez mais Porque metade de mim é abrigo, a outra metade é cansaço. Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba E que ninguém a tente complicar, porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer Porque metade de mim é plateia, a outra metade é canção. E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor e a outra metade também

 

Estrelas (Oswaldo Montenegro)

Pela marca que nos deixa a ausência de som
Que a emana das estrelas
Pela falta que nos faz
A nossa própria luz a nos orientar
Doido corpo que se move
É a solidão dos bares que a gente frequenta
Pela mágica do dia
Que independeria da gente pensar
Não me fale do seu medo
Eu conheço inteira sua fantasia
E é como se fosse pouca
E a nossa alegria não fosse bastar
Quando eu não estiver por perto
Canta aquela música que a gente ria
É tudo o que eu cantaria
E quando eu for embora você cantará
 

Quebra Cabeça Sem Luz (Oswaldo Montenegro)

É na clareza da mente
Que explode a procura de um novo processo
E o que é meu direito eu exijo, não peço
Com a intensidade de quem quer viver
E optar: ir ou não por ali
A nossa primeira antena é a palavra que amplia
A verdade que assusta
E a gente repete que quer, mas não busca
E de um modo abstrato se ilude que fez
Mas qualquer dia vai ter que ficar definido o caminho
É mais louco do que já supôs a tal sabedoria
Magia que eu hoje procuro entender
Pra que o corpo supere a fadiga
Você, o que pensa do assunto?
Se a gente se encontra mas nunca tá junto
Vivendo esse quebra cabeça sem luz
Pra não ficar dividida
Minha mente estabeleci-combinado
Faria dizer pondo um pouco de mate gel-há de fazer
Como os loucos falando aos tropeços (perdão Rita Lee)
Pra que a gente se entenda algum dia
Há de ser como o louco Quixote
E a lógica insiste em guardar no seu pote
A mais linda palavra que eu ia dizer
Mas qualquer dia você vai me ver disfarçar (há) de fazer
Como eu que disfarço na tal fantasia a magia
E só me fantasio do que venha ser
E o que se espera da minha cabeça há de ser invertido
E a sonata que eu já compus
Virou rock/quem roubou minha loucura fui eu
Agora a devolvi
 

Bandolins (Oswaldo Montenegro)

Como fosse um par que nessa valsa triste
Se desenvolvesse ao som dos bandolins
E como não, e por que não dizer
Que o mundo respirava mais se ela apertava assim seu colo?
E como se não fosse um tempo em que já fosse impróprio
Se dançar assim
Ela teimou e enfrentou o mundo se rodopiando
Ao som dos bandolins
Como fosse um lar, seu corpo a valsa triste iluminava
E a noite caminhava assim
E como um par, o vento e a madrugada iluminavam
A fada do meu botequim
Valsando, como valsa uma criança
Que entra na roda, a noite tá no fim
E ela valsando só na madrugada
Se julgando amada ao som dos bandolins