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Oswaldo Montenegro

Ficha Técnica:
Produção: Max Pierre e Madalena Salles
Arranjos: Oswaldo Montenegro e Robespierre Simões
Fotos: Milton Montenegro
Gravado ao vivo no Palace (SP) em julho de 1988

 
Oswaldo Montenegro ao Vivo (1988)

Intuição (Oswaldo Montenegro/Ulysses Machado)

Canta uma canção bonita
Falando da vida em ré maior
Canta uma canção daquelas
De filosofia e mundo bem melhor
Canta uma canção
Que aguente essa paulada
E a gente bate o pé no chão
Canta uma canção daquelas
Pula da janela
E bate o pé no chão
Sem o compromisso estreito
De falar perfeito
Coerente ou não
Sem o verso estilizado
O verso emocionado
Bate o pé no chão
Canta o que não silencia
É onde principia a intuição
E nasce uma canção rimada
Da voz arrancada
Ao nosso coração
Como sem licença o sol
Rompe a barra da noite
Sem pedir perdão
Hoje quem não cantaria
Grita a poesia
E bate o pé no chão
 

Condor (Oswaldo Montenegro)

Quando voa o condor
Com o céu por detrás
Traz na asa o sonho
Com o céu por detrás
Voa condor
Que a gente voa atrás
Voa atrás do sonho
Com o céu por detrás

Quando voa o condor...

Ah, que o vôo do condor no sol
Trace a linha da nossa paixão
Eu quero que seja
Mostrada no meio da rua e rolando no chão
Ah, que a gente despedace em luz
Ah, que Deus seja o que quiser
Explode a cabeça
Com olho de bicho
Mas com um coração de mulher

Quando voa o condor...

Ah, se fosse como a gente quer
Ah, e se o planeta explodir
Eu quero que seja
Em plena manhã de domingo
E que eu possa assistir
Ah, que a miserável condição
Da raça humana procurando o céu
Levante a cabeça
E ao levantar, por encanto,
Escorregue o seu véu

Quando voa o condor...
 

Metade (Oswaldo Montenegro)

Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito, a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe seja linda, ainda que tristeza
Que a mulher que amo seja pra sempre amada, mesmo que distante
Porque metade de mim é partida, a outra metade é saudade.

Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece, nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço, a outra metade é o que calo.

Que a minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que mereço
Que a tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso, a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
E o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei.


Que não seja preciso mais do que uma simples alegria pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo, a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar, porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é plateia, a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor e a outra metade também
 

 

 

Léo e Bia (Oswaldo Montenegro)

No centro de um planalto vazio
como se fosse em qualquer lugar
como se a vida fosse um perigo
como se houvesse faca no ar
como se fosse urgente e preciso
como é preciso desabafar
qualquer maneira de amar varia
e Léo e Bia souberam amar

Como se não fosse tão longe
Brasília de Belém do Pará
como castelos nascem dos sonhos
pra no real achar seu lugar
como se faz com todo cuidado
a pipa que precisa voar
cuidar de amor exige mestria
e Léo e Bia souberam amar
 

O Chato (Oswaldo Montenegro)

Ah, todo chato é bonzinho
Nunca nos fez nenhum mal
Ah, todo chato é calminho
Como se faltasse sal
Ah, todo chato te conta
Aonde passou o Natal
E sempre te da um dica
De onde ir no carnaval
Ah, todo chato cutuca
Pra você prestar atenção
Chama cabeça de cuca
E arranha um violão
Diz que inventou uma música
E toca as seiscentas que fez
E quando você abre tua boca e boceja
Ele toca tudinho outra vez
Ah, todo chato é gosmento
E não há como evitar
Eu sou um chato e, meu Deus, não me aguento
Só me tacando no mar
 

Lua e Flor (Oswaldo Montenegro)

Eu amava como amava algum cantor
De qualquer clichê, de cabaré, de lua e flor
Eu sonhava como a feia na vitrine
Como carta que se assina em vão
Eu amava como amava um sonhador
Sem saber por que e amava ter no coração
A certeza ventilada de poesia
De que o dia não amanhece não
Eu amava como amava um pescador
Que se encanta mais com a rede que com o mar
Eu amava como jamais poderia
Se soubesse como te contar
 

Mistérios (Oswaldo Montenegro)

Tudo o que eu pensei saber ainda é mistério
Qual é a relação de Crato lá com New Orleans?
A chave do amor é uma risada ou é um jeito sério?
É singular o fecho todo ou já são vários fins?
É sempre o mesmo Deus ou troca como um Ministério?
É sempre a mesma afirmação ou já são vários sins?
É cheia a taça da paixão ou é um rio estéril?
São sete demos musicais ou doze querubins?
Se a vida continua ou não ainda é mistério
O ciclo começa por onde: noite ou manhã?
O barco do destino é uma prisão ou é um grande império?
Quem é que descerá dos céus nos braços de Tupã?
É sempre o mesmo Deus ou troca como um Ministério?
Depois que a gente já mentiu a coisa ainda é sã?
A sorte é uma abstração, o azar é um mistério
E Deus freqüenta a arquibancada do Maracanã
 

A Dama do Sucesso (Oswaldo Montenegro e Mongol)

Foi fazer teste na Globo
E ela era bem bonitinha
Dizia: "Eu nunca me afobo
A glória ainda há de ser minha"
E apareceu numa novela
Atrás do baleiro da esquina
A câmera passou por ela
Tava com sorte a menina
E fez um anúncio de Modess
Com mais de 40 pessoas
"Quem não batalha se fode-se
Ah! essas chances são boas"
E apertou a mão do Vannucci
E achou que o sucesso era agora
Mas chamou a Guta de Guti
E já era quase senhora
Mas de dez anos de luta
E um álbum com press-release
Muita pontinha fajuta
E nada de entrar no show bizz
E num acidente da sorte
Morreu num incêndio famoso
Em close voando pra morte
"Como o sucesso é gostoso"
 

Só (Oswaldo Montenegro)

Vontade de ser sozinho, sem grilo do que passou
A taça do mesmo vinho, sem brinde, mas por favor
Não é que eu não tenha amigos, não, não é que eu não dê valor
Mas hoje é preciso a solidão, em nome no que acabou
Vontade de ser sozinho, mas por uma causa sã
Trocar o calor do ninho pelo frio da manhã
Valeu a orquestra (se valeu!) mas agora é flauta de Pã
Hoje é preciso a solidão, com a benção do deus Tupã, ô menina
E a quem perguntar quando o vento sopra, responda que já soprou
Mas o vento não traz resposta, acabou
A flecha que passa rente, cantor implorando bis
O cara que sempre mente, a feia que quer ser miss
Gaivota voando sob o céu, a letra que eu nunca fiz
Tudo é a mesma solidão, mas dá pra se ser feliz
E a quem perguntar quando o vento sopra, responda que já soprou
Mas o vento não traz resposta, acabou
E todo mundo é sozinho (ai de quem pensar que não)
A moça com seu vizinho, soldado com capitão
E resta a quem está sem seu amor, amar sua solidão
Hoje é preciso o uivo de um lobo na escuridão
 

Sempre não é Todo Dia (Oswaldo Montenegro e Mongol)

 Eu hoje acordei tão só
Mais só do que eu merecia
Olhei pro meu espelho e “rá!”
Gritei o que eu mais queria
Na fresta da minha janela
Raiou, vazou a luz do dia
Entrou sem me pedir licença
Querendo me servir de guia
E eu que já sabia tudo
Das rotas da Astrologia
Dancei, e a cabeça tonta
O meu reinado não previa
Olhei pro meu espelho e “rá!”
Meu grito não me convencia
Princesa eu sei que sou pra sempre
Mas sempre não é todo dia
Botei o meu nariz a postos
Pro faro e pro que vicia
Senti seu cheiro na semente
Que a manhã me oferecia
Olhei pro meu espelho e “rá!”
Meu grito não me convencia
Princesa eu sei que sou pra sempre
Mas sempre não é todo dia
Eu hoje acordei tão só
Mais só do que eu merecia
E eu acho que será pra sempre
Mas sempre não é todo dia